Segunda-feira 16 de Outubro de 2017

Dia 04 de março de 2017 às 19:30 posse do neo acadêmico poeta e professor, Francisco de Assis Sousa

A MATANÇA DOS BEBÊS – DO EGITO ANTIGO À MODERNIDADE

Postado por: Francelina Macedo em 28/03/2013 as 10:10:29
A MATANÇA DOS BEBÊS – DO EGITO ANTIGO À MODERNIDADE

 

 

 

 

 

Gilson Chagas *

 

“”Tu me viste antes de eu ter nascido, os dias que tinham sido criados para mim foram todos escritos  no teu livro, quando ainda nenhum deles existia”.(Sl 139.16)

 

No Egito antigo,  o faraó deu ordem às  parteiras para matarem   todos  os hebreuzinhos do  sexo masculino que  viessem à luz sob aquele sol.  Ele pretendia  enfraquecer e reduzir a raça hebreia radicada no país. Raça, aliás,  já  então submetida à  escravidão, além de  sofrer outros ultrajes do gênero.  As parteiras, por temor ao Deus de Israel,  esquivaram-se de fazer a matança, argumentando,  para se justificarem perante faraó,  que as mulheres  israelitas  eram vigorosas e, por isso, tinham  partos rápidos e de forma independente.

Nessa época, Moisés -  hebreu de sangue e, depois, “de carteirinha”-   precisou dum artifício familiar  para  ter garantida sua   sobrevivência. Aos três meses de idade, sua mãe o colocou num cesto e, sob a vigilância da  Irmã, ele  foi “esquecido”,  aparentemente só, à margem   do rio (Nilo) -  em local e horário em que  a filha do soberano costumava  banhar-se   Esta,  ao encontrar, choroso,   o “menor abandonado”,   acolheu-o comovida e decidiu  mantê-lo  e educá-lo com regalias de filho.     80 anos mais tarde, Moisés  libertaria seu  povo do jugo faraônico,  levando-o – via deserto -  em direção à  terra prometida.  

Séculos depois, no raiar da era cristã, o rei Herodes mandou exterminar o contingente masculino com até 2 anos de idade e residência  na cidade de Belém e cercanias.  Intentava,  operando no  atacado, cortar pela raiz  um certo rebento  que, segundo  magos e profetas, teria nascido  naquelas plagas, com a predestinação de ser  “o novo rei dos judeus”.  O verdadeiro alvo de Herodes escapou milagrosamente da foice, porque um anjo  instruiu seus pais  a fugirem com Ele para o Egito. O sobrevivente da “faxina”  infanticida  é  Jesus Cristo - o Deus filho, para os cristãos,   e  potencial  salvador de toda humanidade.   

 

FARAÓ E HERODES ATACAM NOVAMENTE

 

Agora, no século XXI,  Faraó e Herodes estão de volta, com  ameaças semelhantes.  E desta vez eles contam com o apoio das parteiras e de uma grande legião de “anjos”.  O Conselho Federal de Medicina – ironicamente,  ele! - e diversos grupos militantes, sob os mais variados sofismas, pleiteiam o direito legal de se fazer o que  eufemisticamente chamam de “interromper a gravidez”. Um direito, aliás, que, noutra vertente da  língua portuguesa, significa de fato  permissão  para  ceifar vidas humanas   já formadas, com até 12 semanas de gestação.   

Advogam os doutos defensores que a “descriminalização do aborto” (outro eufemismo)  evitará que inúmeras mulheres férteis continuem  expondo suas vidas, ao  recorrerem com frequência a aborteiros e outros operadores clandestinos, para extirparem seus fetos indesejados. Defendem essa tese com toda a veemência,  como se os  atos e fatos a que se referem  tivessem suas causas na saúde dos fetos e não na índole das mães.

Na verdade, os tais grupos -  que, na prática, revindicam o  poder divino de decidir sobre quem pode ou não pode viver -   pretendem  inverter os polos de uma milenar relação ético-jurídica,  transformando  réus em vítimas e  vítimas em réus. Em outros termos, pregam  liberdade e segurança para “mães arrependidas”  matarem seus fetos, sem correrem  o risco de morrer.

UM ABISMO CHAMA OUTRO ABISMO

Ora, os direitos e conquistas da sociedade são dinâmicos  e surgem, dia após dia,  em escala ascendente. Legalizado agora o aborto, não nos espantemos se a próxima “liberalidade” conquistada pela militância for a inclusão no cardápio de descriminalizações um salvo-conduto para aquelas mães que perderam o tempo do aborto, mas não o desejo de  livrar-se de seus  bebês “importunos”.  E, então, poderemos vê-las, à luz do dia e da lei, sob o pretexto de uma depressão pós-parto, por exemplo, jogarem, sem culpa,  seus recém-nascidos  em  córregos e  lagoas,  ou os “esquecerem” em alguma lata de lixo.

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*Gilson Chagas é Professor universitário e escritor. 

 

 

          

 

 

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