ALERP
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16/06/2019 12:56:49 | Por: josselmo Batista Neres | Visitas: 412
Foto: Profº. Francisco de Assis Sousa
Estamos no mês de maio e a mata, que a chuva vestiu de verde durante os meses de fevereiro, março e abril, começa a mudar de cor. Os galhos surgem nus, despidos e cinzentos, com algumas folhas, as mais resistentes, penduradas e ressequidas; outras, já repousam no solo, adormecidas entre troncos e pedras à espera da mandíbula perspicaz de um caprino para sugá-la e calar a fome nos meses vindouros; as demais se transformarão em alimento para a vegetação rasteira brotar na próxima invernada.
A aroeira, que perde sua coroa, fica de braços esticados, cambaleando, como a pedir socorro; do alto, olha o marmeleiro, a catingueira, o bamburral, pelados, entregues ao calor do sol e ao soprar do vento, desprotegidos, com os corpos expostos.
De longe, o juazeiro, de raízes profundas, aparece com a sua melhor roupa, deseja proteger a vizinhança, mas tampouco pode sair do seu lugar, está agarrado demais ao chão. Fica a olhar de forma desconfiada sem poder fazer nada, apenas espera o homem, a cabra, a vaca, o cavalo a proteger-se em sua guarita que abraça a todos sem distinção.
As poças d’água, que se acumularam apoiadas em barrancos que margeiam as estradas, também começam a se despedir e vão sumindo, indo embora pouco a pouco, deixando sem alimento as algas, os peixes, que são tragados pelos longos bicos das aves que ficam à espreita, esperando o melhor momento para atacá-los e sugar os últimos suspiros de vida que ainda lhes restam.
Pouco a pouco, o homem, o gado assiste a vida adormecer, o sol mostrar as ventas, escanchar em suas corcundas e dançar o galope da seca até a chuva voltar.
Francisco de Assis Sousa, A seca não pede passagem!!! In: Sorria, enquanto é tempo! p. 73
Fonte: tvverdescampossat.com
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